sábado, 21 de julho de 2012

assim como

depois que acaba a chuva
ainda há chuva
escoando pelos telhados

depois que acaba o amor
ainda há amor
esmorecendo em olhos molhados

sexta-feira, 13 de julho de 2012

não sou um pouco melhor a cada dia
(muitas vezes esqueço inclusive de tentá-lo)

e de tanto vasculhar o entendimento meu
percebi que sou má, e também, que sou fraca:

mas se fraca
quando má,
sou falsa,
ou boa?

terça-feira, 10 de julho de 2012

blue blue day

o dia hoje amanheceu
tão-tão azul tristinho,
mas muito desbotadinho,
nem dei conta que era meu.

mal tardou, anoiteceu,
num cinza-azul tão apagado,
por fim, mal acabado,
dia esse que é todo seu...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mulheres Amorosas - II

Vó Candinha chega a mim por histórias, minha bisa-avó amada.
A preferida diz respeito a certa tática de conquista muito honrosa:

Nas férias, a netaiada toda enchia a casa de seu sítio em Piraí.
Perto da hora do almoço, sorrateira, chegava pra um,
dizia: "olha, vou colocar um ovo debaixo do seu feijão,
mas não conte pra ninguém, é só pra você, meu neto querido..."

O pequeno enchia-se de orgulho próprio por ser tão importante!
E tomava todo cuidado pra não ser descoberto e perder a regalia.

Anos e anos mais tarde, quando, em conversas sobre a mesa,
um outro - não sem certo constrangimento modesto -
resolve contar o mimo que a vó lhe fazia, a velha é descoberta!
Para todos os netos, fazia igual.

Mulheres Amorosas - I

Tia Ambrosina era corpulenta, tinha traços pouco femininos.
Era o aconchego em pessoa.

Havia tanto frescor em seu temperamento que eu
- menina um tanto emburrada da cidade -
sentia nela aquela cumplicidade que as crianças só concedem aos que tem a mesma idade.

Cuidadosamente, com as heras que subiam pela parede,
esculpia molduras vivas nas portas e janelas de sua casa.
Ela brincava: minha casa nunca para de crescer.

Do fogão a lenha saiam bolos e frituras que preenchiam o ar de um aroma terno
que Tia Ambrosina completava com uma larga risada.

No quintal, um grande tanque de água corrente da serra se prestava a bons banhos, em dias de coragem.

Pintinhos, passarinhos e afins eram presença sempre constante.

Eu achava aquela casa tão bonita, mas tão bonita,
que hoje pensando nela, eu penso
que beleza é o que se sente
e que casas, na verdade, são pessoas.

terça-feira, 17 de abril de 2012


depois que desata o laço se solta,
dá volta, e se enlaça,
de novo,

nó.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Hoje pela manhã, um caminhão carregado de sono tombou em minha cama. O colchão, que só foi liberado após o meio-dia, ainda apresenta vestígios dos sonhos derramados...