domingo, 17 de abril de 2011

vida perfeita,
compromisso.
por isto nascer,
morrer para isso.
muito embora ainda exista amor, vou-me embora...

eu vou,
ainda existo.

e o amor?

virá,
em boa hora!

terça-feira, 12 de abril de 2011

O Tempo - I

o tempo não passa
não passa de mero caminho
caminho de volta pra casa

sexta-feira, 8 de abril de 2011

quando os justos estão dormindo o sono assegurado
não para o descanso: para o trabalho
é quando vou acordando prumas vagas inquietações
e não há o que fazer senão encará-las, ou melhor

descerrá-las

até que,
saciadas do passeio,
se aquietem,
eu também.

já sei que não haverá conclusão nenhuma,
apenas sono pesado pela manhã

terça-feira, 5 de abril de 2011

na esquina, um bar,
no canto, uma mesa.

na mesa, uma coca, um maço e um livro.
debruçado sobre eles um menino.

na rua, os carros, pessoas que passam,
não notam o menino.

nem me notam, na outra esquina,
a me acabar por ele...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

desabafo de uma dona de casa

passo o café, passo a roupa, passo um pano no chão
faço almoço, lavo a louça, levo o lixo pra fora
ouço as noticias da semana na televisão
levo o menino pra escola

pego as cartas, molho as plantas, ponho as mantas ao sol
pago as contas, faço as compras e até leio um jornal
pego a receita do domingo na televisão
pego o menino na escola

e tem mais, o vizinhos,
eles são até legais,
só que falam demais
blá blá blá blá blá blá!
meu benzinho, eu quero paz!

e já faz um tempo que eu economizo
o troco do pão!
e ando frequentando a agência de turismo
— tem promoção?
pois hoje comprei um pacote, incluindo
a passagem do avião!

só preciso de um pouco de sol,
de água de coco,
talvez um banho de butique,
são só dez dias,
eu volto...

com marquinha de biquíni!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Contos de Fumaça - I

O tema da prosa, da vez, era a posse das terras de trás da igreja.
Falaram no nome de Mané Nune, que começou fazendo fortuna de maneira meio sem modos:

Em tempos de safra de café, juntava mulher e filhos,
e metidos em lençóis,
e munidos com velas,
saíam pela noite a assombrar as casas, e se o morador, no medo de ser mesmo coisa de outro mundo, fugisse, deixando as sacas no jeito de se pegar, ele pegava. Na mesma noite rumava pra cidade com os grãos que não havia plantado nem colhido. Quem espreitasse pela janela curioso do barulho, via o fantasma da carroça passando.

Rosinha Nune sua filha, tomou mesmo tanto gosto na atuação do assombro que ainda hoje, já beirando o centenário, agenda suas peças pela madrugada...