sábado, 19 de março de 2011

não palavras, criadas.

são as não-palavras:
grunhido, gemido, suspiro, choro, risada, grito
- o intrínseco -,
honesta comunicação.

sons ou não sons?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Vestígios de Sonho - I

Era um sítio. Fazia sol. Estava num gramado, próximo à casa.
Fui picada por uma abelha, 
logo muitas abelhas (se emaranhando nos cabelos),
zumbido,
confusão,
escuro.

Acordei dentro da casa. Fora, ainda fazia sol, mas a casa era fria.
Veio a mãe do sonho: quis saber como me sentia.
Contou do ataque das abelhas,
que estive desacordada desde então,
que muitos anos haviam se passado... e nesse tempo chegou um moço, 
um enfermeiro, que cuidou de mim e esteve sempre ao meu lado:
me alimentando, contando histórias, esperando pacientemente que eu acordasse.

Ele acabou de sair - disse a mãe - mas prometeu voltar logo.

Corri pra janela e ainda o vi seguindo em direção à porteira.
Não usava uniforme, mas umas roupas velhas,
era alto, magro, os cabelos reluziam ao sol.

Quando ia fechar o trinco, fez um movimento de olhar pra casa...

Me escondi entre as cortinas e continuei observando...
aquela figura que, subitamente, me encantara
- mas que também me metia medo.


O vestígio: uma sensação de renascimento e de curiosidade, se é que não significam a mesma coisa...
quando durmo, moro em mim
quando sonho, passeio
tão logo acordo, me guardo
portanto: nunca saio

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

criança, quando cai,
acha graça!
ou chora - se dói - e passa.

- que sapeca!

e o adulto quando cai?
se embaraça, todo chato,
e disfarça, kick ass.

- que boboca!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

agora você me olha, você me lê
por amor ou pura curiosidade
porque sente saudade
você ainda me guarda.

e eu continuo toda errada
enquanto não durmo
a me revirar, a nunca encontrar
o que eu queria ser.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

o que é maior em mim,
o amor ou o medo?

o que é maior me domina?
ou de tão grande, determina
o que há fora de mim?

o maior me move ou me limita?

há muito amor, e muito medo
de não ser mais eu, o amor.

ahhh.... menos eu, menos eu, menos eu!

já não me aguento e não me basto.
a pele separa o sangue do resto do mundo inteiro.

farta profusão de dentes e unhas, embora
os dentes não se refaçam como as unhas,

e também os pelos, e os cabelos
- esses em profusão quase infinita.

os ossos quebram, as articulações se rompem,
boca e olhos se lavam com saliva e lágrima.

inspira, expira, transpira, digere,
suspira.

no grande golpe da evolução fez-se bicho consciente
que pensa e sente, e se confunde, e não entende.